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Até 27 de fevereiro - Cinemateca inicia o ano com mostra de filmes clássicos e raridades

29/12/2011
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exibindo exclusivamente cópias em película, quarta edição do VERÃO DE CLÁSSICOS fica em cartaz até 27 de fevereiro e recupera filmes “esquecidos” em acervos

Em 2012, a Cinemateca Brasileira mais uma vez dá início à programação anual com a sua já tradicional mostra de filmes clássicos, cult movies e raridades. É a quarta edição do VERÃO DE CLÁSSICOS, que aproveita o período de férias escolares e universitárias para exibir, exclusivamente em cópias em película, uma seleção extremamente variada de filmes das mais diversas épocas, países, gêneros e vertentes, colocando lado a lado obras de diretores consagrados e pérolas obscuras, superproduções premiadas e “filmes B” deliciosamente precários.

A mostra é produzida após uma pesquisa aprofundada nos acervos de filmes estrangeiros da Cinemateca Brasileira e de outras instituições e distribuidoras comerciais. Como resultado dessa verdadeira “escavação arqueológica”, não só clássicos que não circulam há tempos e filmes obscuros ganham nova chance de caírem no gosto do público. Também ressurgem nas telas curiosidades como o faroeste Quando os homens são maus, exibido em 1967 como telefilme nos Estados Unidos e posteriormente lançado nos cinemas em outros países, inclusive no Brasil. Contando no elenco com Charles Bronson e Lee Marvin, o longa-metragem é na verdade um amálgama reeditado a partir de dois episódios da série televisiva The Virginian – um deles dirigido pelo cultuado Samuel Fuller –, feito para explorar a popularidade dos astros, que interpretaram vilões em capítulos distintos da série (gravados com sete anos diferença!).

Em matéria de raridades, vale mencionar a exibição em 35mm de Trópicos, docudrama muito comentado, mas pouquíssimo exibido, rodado no Brasil pelo italiano Gianni Amico, amigo e parceiro dos cineastas do nosso Cinema Novo, a quem o filme é dedicado. Também deve matar a saudade – ou a curiosidade – dos cinéfilos a comédia erótica italiana A adolescente, de Alfonso Brescia, um mestre do baixo orçamento, legítimo sucessor de Roger Corman, famoso por ter produzido uma série de aventuras intergalácticas de baixíssimo orçamento na esteira do sucesso do primeiro Star Wars. Estrelado pelas belíssimas Daniela Giordano e Sonia Viviani, A adolescente é um exemplo perfeito deste gênero que alcançou imensa popularidade nos anos 1970, cuja fórmula calcada em humor picante, nudez parcial e insinuações sexuais manifestou-se paralelamente no Brasil com a explosão das chamadas pornochanchadas. Outra raridade que merece ser redescoberta é o divertidíssimo Testamento de um gângster, de Georges Lautner, mistura de comédia romântica e filme policial que ganhou status de cult movie na França após suas exibições na televisão e seu lançamento no mercado de home video, muitos anos depois de seu lançamento original, em 1963, quando foi ignorado pelo grande público.

Já a lista de clássicos incluídos nesta primeira etapa da mostra reúne títulos preciosos e cultuados como Desejo profano, obra-prima do cineasta japonês Shôhei Imamura, A batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo, um dos maiores filmes políticos e de guerra de todos os tempos, A paixão de Joana d’Arc, de Carl Theodor Dreyer, outro frequentador habitual de listas dos melhores da história do cinema, e o drama sobre a Primeira Guerra Mundial O outro lado, de Heinz Paul, proibido pelos nazistas ainda em 1933 e frequentemente mencionado entre os melhores filmes alemães já realizados. Além destes, a mostra exibe ainda trabalhos de outros mestres do cinema, como Roman Polanski (Armadilha do destino), Kenji Mizoguchi (O intendente Sansho, uma de suas mais admiráveis realizações) e Jean-Luc Godard (o surpreendentemente acessível Detetive).

Complementando a programação de janeiro da mostra VERÃO DE CLÁSSICOS, um programa especial homenageia o mestre do cinema espanhol Carlos Saura por ocasião de seu octogésimo aniversário, comemorado no dia 4 de janeiro, com a exibição integral em película de sua célebre Trilogia Flamenca, composta pelos longas-metragens Bodas de sangue, Carmen e Amor bruxo. Baseados em obras consagradas da literatura e do teatro espanhóis, os filmes misturam cinema, balé e dança contemporânea a elementos da cultura popular cigana, num estilo completamente diverso do típico musical cinematográfico.

Em virtude da procedência das películas, muitas das quais ficaram armazenadas por décadas em condições precárias, alguns filmes são exibidos em cópias que carregam as marcas da ação do tempo, apresentando riscos, manchas e fotogramas faltantes. Estas imperfeições, porém, não diminuem o encanto de fruir numa experiência autenticamente cinefílica obras que, em muitos casos, permanecem inacessíveis ao público tanto na televisão a cabo quanto em DVD ou Blu-ray.

Além disso, vale lembrar que todas as sessões do VERÃO DE CLÁSSICOS são precedidas por um trailer original em película, “garimpado” no acervo da Cinemateca, de algum filme clássico ou cult movie. Trata-se de uma tentativa de recriar a experiência de uma sessão de cinema de outros tempos e, ao mesmo tempo, resgatar um pouco das campanhas de lançamento de títulos como Cliente morto não paga, de Carl Reiner, Piranha, de Joe Dante, A estratégia da aranha, de Bernardo Bertolucci, e Cinzas no paraíso, de Terrence Malick.

A mostra conta com o apoio da Fundação Japão e da Cinemateca da Embaixada da França e continua em cartaz até o final de fevereiro, quando será exibida uma nova seleção de preciosidades dos acervos cinematográficos disponíveis no Brasil. Confira em breve a programação.

VERÃO DE CLÁSSICOS

11 de janeiro a 27 de fevereiro de 2012

CINEMATECA BRASILEIRA

Largo Senador Raul Cardoso, 207

próximo ao Metrô Vila Mariana

Outras informações:  (11) 3512-6111 (ramal 215)

www.cinemateca.gov.br

Taxa de manutenção: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada) / ENTRADA FRANCA nas sessões indicadas

Atenção: estudantes do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.

Observação: temos fotos em alta resolução e trechos em DVD de alguns dos filmes que compõem esta programação. Favor encaminhar solicitações para o e-mail imprensa@cinemateca.org.br

PROGRAMAÇÃO:

11.01 | QUARTA

SALA CINEMATECA BNDES

18h30   TRÓPICOS

20h30   DESEJO PROFANO

12.01 | QUINTA

SALA CINEMATECA BNDES

19h00   O OUTRO LADO

21h00   ARMADILHA DO DESTINO

13.01 | SEXTA

SALA CINEMATECA BNDES

19h00   QUANDO OS HOMENS SÃO MAUS

21h00   A PAIXÃO DE JOANA D’ARC

14.01 | SÁBADO

SALA CINEMATECA BNDES

16h00   A BATALHA DE ARGEL

18h15   DESEJO PROFANO

21h00   O INTENDENTE SANSHO

15.01 | DOMINGO

SALA CINEMATECA BNDES

17h00   BODAS DE SANGUE

18h30   AMOR BRUXO

20h30   CARMEN

17.01 | TERÇA

SALA CINEMATECA BNDES

19h00   A ADOLESCENTE

21h00   O OUTRO LADO

18.01 | QUARTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

18h30   O INTENDENTE SANSHO

21h00   A BATALHA DE ARGEL

19.01 | QUINTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

19h00   TESTAMENTO DE UM GÂNGSTER

21h00   BODAS DE SANGUE

20.01 | SEXTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

19h00   ARMADILHA DO DESTINO

21h00   AMOR BRUXO

21.01 | SÁBADO

SALA CINEMATECA BNDES

19h00   A PAIXÃO DE JOANA D’ARC

21h00   CARMEN

22.01 | DOMINGO

SALA CINEMATECA PETROBRAS

16h30   O INTENDENTE SANSHO

19h00   TRÓPICOS

21h00   A ADOLESCENTE

24.01 | TERÇA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

19h00   A PAIXÃO DE JOANA D’ARC

21h00   QUANDO OS HOMENS SÃO MAUS

25.01 | QUARTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

17h00   O OUTRO LADO

19h00   TESTAMENTO DE UM GÂNGSTER

21h00   DETETIVE

26.01 | QUINTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

20h00   DESEJO PROFANO

27.01 | SEXTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

19h00   A BATALHA DE ARGEL

21h15   A ADOLESCENTE

28.01 | SÁBADO

SALA CINEMATECA PETROBRAS

19h00   DETETIVE

21h00   TRÓPICOS

29.01 | DOMINGO

SALA CINEMATECA PETROBRAS

16h30   QUANDO OS HOMENS SÃO MAUS

18h30   ARMADILHA DO DESTINO

20h30   TESTAMENTO DE UM GÂNGSTER

FICHAS TÉCNICAS E SINOPSES:

A adolescente (L’adolescente), de Alfonso Brescia

Itália, 1976, 35mm, cor, 92’ | Legendas em português

Tuccio Musumeci, Daniela Giordano, Sonia Viviani, Maria Bosco, Aldo Cecconi

Uma jovem decide acabar com o casamento oportunista de seus tios, espalhando boatos sobre a vida sexual promíscua e adúltera de ambos. Comédia erótica dirigida pelo mestre italiano do cinema de baixo orçamento, Alfonso Brescia, mais famoso por seus westerns e por uma série de filmes de ficção-científica centrados em batalhas intergalácticas, produzida na esteira do sucesso do primeiro filme da série Star Wars.

classificação indicativa: 16 anos

ter 17 19h00 | dom 22 21h00 | sex 27 21h15

Armadilha do destino (Cul-de-Sac), de Roman Polanski

Inglaterra, 1966, 35mm, pb, 111’ | Legendas em português

Donald Pleasence, Françoise Dorléac, Jack MacGowran, Lionel Stander, Jacqueline Bisset

Após um assalto fracassado e um problema com o carro na fuga, um criminoso e seu parceiro à beira da morte pedem abrigo a um casal num velho castelo próximo à estrada, na costa inglesa, que é isolado do continente pela maré alta. A princípio, os donos do castelo, um inglês patético e sua linda e entediada esposa francesa, não são o que se pode chamar de "bons anfitriões", mas, com o passar do tempo, a relação entre eles passa por situações inusitadas que vão do humor ao bizarro. Enquanto isso, os bandidos esperam ser resgatados por um chefe que nunca aparece. O título original do filme, “Cul-de-Sac”, é uma expressão francesa que significa algo como "beco sem saída" e é a metáfora perfeita para a situação em que os personagens se encontram.

classificação indicativa: 16 anos

qui 12 21h00 | sex 20 19h00 | dom 29 18h30

A batalha de Argel (La battaglia di Algeri), de Gillo Pontecorvo

Itália/Argélia, 1966, 35mm, pb, 120’ | Legendas em português

Brahim Haggiag, Yacef Saadi, Jean Martin, Samia Kerbash, Tommaso Neri

Um dos maiores filmes de guerra de todos os tempos, A Batalha de Argel apresenta em estilo semi-documental os eventos decisivos da guerra pela independência da Argélia, marco do processo histórico de libertação das colônias européias na África. A ação concentra-se entre 1954 e 1957, mostrando como agiam os dois lados do conflito: enquanto o exército francês recorria à política de eliminação e à tortura, a Frente de Libertação Nacional desenvolvia técnicas não convencionais de combate baseadas na guerrilha e no terrorismo. Com esse filme de imensa atualidade, indicado aos Oscars de Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original, o diretor italiano Gillo Pontecorvo mudou a história do cinema político e consagrou-se como um dos grandes mestres do gênero.

classificação indicativa: 14 anos

sáb 14 16h00 | qua 18 21h00 | sex 27 19h00

Desejo profano (Akai satsui), de Shôhei Imamura

Japão, 1964, 35mm, pb, 150’ | Legendas em português | Exibição em 16mm

Masumi Harukawa, Akira Nishimura, Shigeru Tsuyuguchi, Yûko Kusunoki

Durante a ausência do marido e do filho, uma dona de casa entediada de meia-idade é violentada por um assaltante. No dia seguinte, além da incapacidade de contar o fato ao marido, ela sente uma estranha ânsia pelo retorno do agressor. Ela fará de tudo, então, para manter uma relação apaixonada com o criminoso. Mórbido drama psicológico que explora um tema caro ao diretor japonês Imamura, um dos principais expoentes do período conhecido como Nouvelle Vague japonesa, que se dizia interessado “na relação da parte inferior do corpo com a parte inferior da estrutura social”. Conhecido como The intention of murder em países de língua inglesa.

classificação indicativa: 16 anos

qua 11 20h30 | sáb 14 18h15 | qui 26 20h00 | ENTRADA FRANCA

Detetive (Détective), de Jean-Luc Godard
França/Suíça, 1985, 35mm, cor, 95’ | Legendas em português
Claude Brasseur, Nathalie Baye, Johnny Hallyday, Jean-Pierre Léaud, Emmanuelle Seigner, Julie Delpy

Num hotel de Paris, um detetive investiga a morte de uma misteriosa personagem. Enquanto isso, um treinador de boxe espera que o rapaz que ele treina saia vencedor de uma luta decisiva, a fim de poder ajustar suas contas com a máfia e com um casal a quem ele também deve dinheiro. A partir destas duas tramas que apenas são esboçadas, o diretor Jean-Luc Godard realiza uma homenagem ao assim chamado ‘film noir’ e expõe suas opiniões sobre a vida moderna, com ênfase no então recente fenômeno da popularização das câmeras de vídeo.

classificação indicativa: 14 anos

qua 25 21h00 | sáb 28 19h00

O intendente Sansho (Sanshô Dayû), de Kenji Mizoguchi

Japão, 1954, 35mm, pb, 124’ | Legendas em português | Exibição em 16mm

Kinuyo Tanaka, Yoshiaki Hanayagi, Kyoko Kagawa, Eitarô Shindô, Akitake Kôno

No Japão medieval, um governante dedicado e honesto é enviado para o exílio por não compactuar com a corrupção reinante. Sua mulher e filhos tentam segui-lo, mas no caminho ela é enganada e levada para a ilha de Sado, enquanto vê seus filhos serem vendidos como escravos. Dez anos depois, os filhos crescidos ficam sabendo da história de uma mulher em Sado famosa por cantar uma triste canção da qual eles se lembram. Desconfiados da verdadeira identidade da mulher, os irmãos farão de tudo para reencontrar sua mãe. Baseado em romance homônimo do escritor japonês Ogai Mori, o filme é uma das maiores obras-primas de um do mestre Kenji Mizoguchi e conquistou o Leão de Prata no Festival de Veneza.

classificação indicativa: 12 anos

sáb 14 21h00 | qua 18 18h30 | dom 22 16h30 | ENTRADA FRANCA

O outro lado (Die andere Seite), de Heinz Paul

Alemanha, 1931, 35mm, pb, 107’ | Legendas em português | Exibição em 16mm

Conrad Veidt, Wolfgang Liebeneiner, Theodor Loos, Friedrich Ettel, Viktor de Kowa, Paul Otto

Durante a Primeira Guerra Mundial, alemães e franceses encontram-se entrincheirados frente a frente. O jovem tenente inglês Raleigh é incorporado às ordens do capitão Stanhope, um velho conhecido. Raleigh é um oficial entusiasta, mas o seu grande exemplo, Stanhope, embebeda-se para disfarçar a tua angústia. Durante um ataque às linhas inimigas, morrem muitos soldados e Raleigh é confrontado com a realidade e precisa enfrentar a angustiante espera pelo contra-ataque inimigo. Proibido pelo governo nazista em 1933, o filme é considerado um dos maiores clássicos do cinema alemão.

classificação indicativa: 14 anos

qui 12 19h00 | ter 17 21h00 | qua 25 17h00

A paixão de Joana d’Arc (La passion de Jeanne d'Arc), de Carl Theodor Dreyer

França, 1928, 35mm, pb, 110’ | Silencioso | Intertítulos em português

Maria Falconetti, Eugene Silvain, André Berley, Antonin Artaud

Mais famosa versão cinematográfica para a história do trágico fim de Joana d’Arc, líder religiosa e militar francesa torturada e queimada pela Igreja sob a acusação de blasfêmia, detalhando as suas últimas horas de vida, logo após sua captura pelos ingleses. Maria Falconetti, atriz descoberta por Dreyer numa comédia de boulevard, interpreta a mártir francesa neste filme construído de maneira original, privilegiando closes e planos fechados dos rostos dos atores como recurso dramático. Um dos maiores clássicos do cinema, o filme conta com uma rara aparição nas telas do teatrólogo Antonin Artaud.

classificação indicativa: 12 anos

sex 13 21h00 | sáb 21 19h00 | ter 24 19h00

Quando os homens são maus (The meanest men in the west), de Charles S. Dubin e Samuel Fuller

EUA, 1967, 35mm, cor, 91’ | Legendas em português

James Drury, Lee J. Cobb, Charles Bronson, Lee Marvin, Don Mitchell, Charles Grodin

Depois de assassinar o seu padrasto, Kalling McGuire, considerado um dos piores homens do Oeste, tornou-se um ladrão e um matador frio e calculista. Tão terrível quanto ele, só mesmo o seu principal inimigo: seu meio-irmão Harge, que quer vingar a morte de seu pai a qualquer custo. Em uma emboscada preparada por Kalling, os dois rivais se encontram. A partir desde momento, o ajuste de contas entre os dois assume uma proporção selvagem, sangrenta e sem regras. Lançado comercialmente no mercado norte-americano de ‘home video’ e nos cinemas de alguns países (incluindo o Brasil) como longa-metragem, este curioso western é, na verdade, um amálgama de dois episódios re-editados da série de TV norte-americana The Virginian, exibida entre 1962 e 1971. Feito para aproveitar a popularidade dos astros, que interpretaram vilões em anos diferentes do seriado, o filme reúne numa mesma trama cenas gravadas em contextos completamente diferentes, sem que os atores jamais contracenem.

classificação indicativa: 12 anos

sex 13 19h00 | ter 24 21h00 | dom 29 16h30

Testamento de um gângster (Les Tontons flingueurs), de Georges Lautner

França/Alemanha/Itália, 1963, 35mm, pb, 105’ | Legendas em português

Lino Ventura, Bernard Blier, Francis Blanche, Jean Lefebvre, Francis Blanche, Claude Rich

Ex-gângster é chamado por um antigo comparsa à beira da morte. Agonizante, o homem pede que ele cuide de seus negócios – uma casa de mulheres, uma destilaria clandestina etc. – e de sua filha adolescente desmiolada, Patricia. A partir daí, a vida pacata do ex-bandido é sacudida por seu reingresso no mundo do crime, visto com maus olhos pelo restante do bando, que fará de tudo para sabotar os seus planos. Também conhecido pelos títulos Os Titios Bons de Pistola ou Os Titios Metralha, o filme é um autêntico ‘cult-movie’, um fracasso comercial quando de seu lançamento nos cinemas franceses que acabou sendo redescoberto e estimado pelas gerações posteriores, ao ser exibido na televisão e lançado em ‘home video’.

classificação indicativa: 12 anos

qui 19 19h00 | qua 25 19h00 | dom 29 20h30

Trópicos (Tropici), de Gianni Amico

Itália, 1969, 35mm, pb, 87’ | Falado em português

Joel Barcellos, Janira Santiago, Graciele Campos, Batista Campos, Antonio Pitanga

Rodado no Brasil por um cineasta italiano de profundas ligações com os cineastas daqui, este docudrama utiliza a saga ficcional de uma família de retirantes nordestinos para retratar a realidade da miséria brasileira. Enquanto acompanhamos a luta da família para deixar o sertão em busca de uma vida melhor em São Paulo, cenas documentais registram a seca, a fome e a pobreza do povo no final dos anos 1960. Responsável pelas primeiras edições de resenhas sobre o cinema latinoamericano na Itália, Gianni Amico foi um dos principais admiradores e divulgadores do Cinema Novo naquele país, tornando-se amigo e colaborador de Glauber Rocha. Concebido dentro do clima de grande interesse pela América Latina que animava a vida cultural italiana entre as décadas 1960 e 1970, Trópicos possui uma abordagem didática, voltada a expor aos olhos do espectador estrangeiro o problema do subdesenvolvimento latinoamericano.

classificação indicativa: 14 anos

qua 11 18h30 | dom 22 19h00 | sáb 28 21h00

ESPECIAL CARLOS SAURA 80 ANOS

Amor bruxo (El amor brujo), de Carlos Saura

Espanha, 1986, cor, 35mm, 100’ | Legendas em português

Antonio Gades, Cristina Hoyos, Laura del Sol, Juan Antonio Jiménez, Emma Penella

Candela e José foram prometidos por seus pais em casamento desde crianças. Quando adultos, eles se casam apaixonados, mas, durante a festa de comemoração, José morre apunhalado numa briga. Carmelo é acusado da morte e preso. Candela passa a se martirizar e todas as noites vai ao local do crime em busca de visões do seu marido. Quando Carmelo sai da prisão, ele declara seu amor por Candela. Inspirado nas tradições ciganas que tanto marcaram a cultura espanhola e criado a partir da música de Manuel de Falla, o filme é um misto de cinema musical e espetáculo de dança flamenco. Vencedor dos prêmios Goya, o Oscar do cinema espanhol, de Melhor Fotografia e Melhor Figurino, o filme é o último da trilogia que também inclui Carmen e Bodas de sangue.

classificação indicativa: 14 anos

dom 15 18h30 | sex 20 21h00

Bodas de sangue (Bodas de sangre), de Carlos Saura

Espanha/França, 1981, cor, 35mm, 72’ | Legendas em português

Antonio Gades, Cristina Hoyos, Juan Antonio Jiménez, Pilar Cárdenas, Carmen Villena

Especialista em obras cujo personagem principal é a música, o cineasta espanhol Carlos Saura realizou este filme transformando a clássica peça de teatro homônima de Federico Garcia Lorca num balé inspirado na dança flamenca. Narra a história de dois jovens apaixonados que são impedidos pelas suas famílias de ficarem juntos. O reencontro acontece justamente no dia do casamento da jovem com outro homem. Um trágico destino selará este triângulo amoroso. Primeiro filme da Trilogia Flamenca do diretor, que se completa com Carmen, de 1983, inspirado na ópera de Bizet, adaptada por Paco de Lucía, e Amor bruxo, de 1986, com música de Manuel de Falla.

classificação indicativa: 14 anos

dom 15 17h00 | qui 19 21h00

Carmen, de Carlos Saura

Espanha, 1983, cor, 35mm, 102’ | Legendas em português

Antonio Gades, Laura del Sol, Cristina Hoyos, Paco de Lucía, Juan Antonio Jimenez, Sebastian Moreno, Pepa Flores

Antonio é o diretor de uma companhia de dança que está trabalhando na montagem de um bailado baseado na mais famosa de todas as óperas: Carmen, de Georgés Bizet. Insatisfeito com a bailarina que faria o papel de Carmen, Antonio sai à procura de uma outra com as características que ele julga ideais para representar a protagonista. Ao visitar uma escola de dança, ele encontra uma jovem e atraente aluna convenientemente chamada Carmen. Durante os ensaios, Antonio e Carmen iniciam uma conturbada relação amorosa, marcada por um ciúme obsessivo. A relação entre o coreógrafo e a bailarina espelha aquela dos protagonistas da ópera, confundindo vida e ficção. Segundo filme da trilogia do diretor Carlos Saura dedicada às tradições musicais ciganas e à dança espanhola, que se completa com Bodas de sangue e Amor bruxo. Vencedora do Prêmio de Contribuição Artística no Festival de Cannes, a obra foi também indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e conquistou o BAFTA na mesma categoria.

classificação indicativa: 14 anos

dom 15 20h30 | sáb 21 21h00